terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quem voce pensa que é?

Todos nós temos uma forma de vestir, de falar, crenças e opiniões sobre assuntos diversos que acreditamos nos serem particulares. Que nos fazem ser quem somos e nos diferencia do outro. Modos diferentes de ver as coisas e de agir que garantiria nossa individualidade. Acreditamos arrogantemente que somos únicos e autênticos. Porém, sinto muito informar que tudo o que nos torna nós mesmos e que nos diferencia, não surgiu do nosso interior, da nossa vontade em particular, e sim do outro. Do exterior.
Quando nascemos, o mundo já está pronto. O nome de tudo já está determinado, as regras e a forma de nos relacionar com as outras pessoas e até em que acreditar e o modo de construção de nossas idéias não fomos nós que inventamos. Nosso pensamento, que julgamos inocentemente ser livre, está ancorado por um lado na carga dura e brutal dos valore culturais, a Moral. Por outro, é mascarado por idéias tidas como nossas, mas que adquirimos passivamente e nos alienam, as ideologias que nos ensinou Marx. E ainda por outro lado, nosso pensamento é influenciado por nossas pulsões inconscientes. O homem não é dono de si mesmo.
E o que é realmente seu? O que você tem que define sua individualidade? Não é sua forma de pensar. Não são suas necessidades, muito menos seus valores morais. Não é sua aparência. Tudo já fora pensado, medido e convencionado. Não são suas crenças.
Quem é o ventríloquo do seu pensamento? Quem puxa as cordas de sua vontade? Eu o desafio a procurar uma resposta.
 E o mais assustador de tudo, é que identificamos como sendo “eu”, apenas uma parte pequena do que somos. Nossa consciência. Mas essa é apenas uma parte de nosso ser, somos mais do que isso. Não nos conhecemos e nem desconfiamos.  Talvez essa seja uma boa resposta para quando te perguntarem: “Quem é você?”. Talvez a resposta mais correta seja: “Me desculpe, mas eu não sei. Não me conheço.”

terça-feira, 14 de junho de 2011

Processo de formação de idiotas escolarizados.

Bom, faz um tempo que não escrevo nada. Ando meio sem tempo e sem vontade. Até escrevi alguma coisa, mas nada que valha a pena publicar. Coloco um desenho do Ryotiras. Que esse sim merece aplauso.
Um site de tiras sensacional, que nos faz pensar. Essa para mim é uma das melhores. Muito ilustrativa.
Segue o link da tira: Idiocracia.

Já se foi o dia em que uma escola, independente do  nível de instrução lecionado, tinha a função de formar pessoas. O curso superior principalmente. A tarefa era ensinar o estudante a pensar, desenvolver o senso crítico e instruí-lo acerca da vida e do conhecimento em geral. 
Hoje o modelo de ensino é outro. A ideia básica é: "Como formar um profissional, com o mínimo de investimento possível?" E a resposta é bem simples. São formados currículos, reles empregados, ferramentas. Esses tem  um conhecimento limitado estritamente ao seu objeto de estudo. 
O grande desarranjo, é que o indivíduo é levado a dedicar seu tempo em estudar um único modelo de pensamento, e não tem sequer disposição para investir em uma matéria que inevitavelmente será importante pra sua carreira e até para sua vivência, mas que não está relacionada no currículo. Outra dificuldade é que dificilmente a resolução de qualquer problema envolve apenas uma área. O estudante sequer entende a relevância de aprender acerca de outras ciências.
Então, dos portões da universidade sai o coitado. Munido apenas de um folha de papel com seu nome e uma  arrogância que apenas os desprovidos de qualquer sabedoria carregam. Desconhece tudo o que horizontaliza a visão e o modo de pensar de um homem. Mede as sombras da caverna, conhece os horários e a frequência com que aparecem. Pesquisou os formatos mais comuns, os sons característicos e tudo mais que pode mensurar através das sombras. Mas jamais desatou as correntes que o prendem. E insiste, soberbo, de chamar de loucos e assassinar, os livres espíritos que conseguiram ver através da luz. Pobre idiota.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Seja um de nós!

Sente um vazio na alma? Falta de sentido na vida? Não se preocupe, é sua aparência.
Use nossas roupas, compre nossas calças, experimente nossos sapatos, use nossas camisas se vista como nós, pareça como nós, cheire como nós, seja como nós. Não somos uma marca, somos um estilo de vida. Faça parte do nosso seleto grupo. Anuncie nossos produtos na sua camiseta, na sua calça, na sua personalidade.
Ainda é pouco? Não se preocupe, temos a solução. Use nosso penteado. Esticamos, cortamos, pintamos. Aumentamos, diminuímos, alisamos, enrolamos, arrepiamos.
E quanto ao seu rosto? Isso é fácil. Repuxamos, cortamos, esticamos, moldamos. Diminuímos, aumentamos, quebramos, tiramos, colocamos, paralisamos, afinamos, elevamos, alargamos, deformamos.
Empinamos os narizes, elevamos as sobrancelhas, tiramos as rugas, aumentamos os lábios. Afinamos os rostos, delineamos os olhos, paralisamos sua face. Não garantimos expressões, mas garantimos a aparência.
Mas seu corpo te preocupa? Nós resolvemos isso. Tiramos, colocamos, alargamos, diminuímos, levantamos, moldamos, fortalecemos, criamos.
Aumentamos seus peitos, arredondamos sua bunda, delineamos suas coxas, recauchutamos sua vagina, aumentamos seu pênis, diminuímos sua cintura te fazemos mais magra. Tudo que estiver em excesso nós retiramos, o que faltar, fazemos uma versão melhor de silicone.
Agora que já tem nosso uniforme e nossa aparência, pode cantar nossos hinos e participar de nossas cerimônias. Seus problemas individuais de emoção e personalidade, não existirão mais! Porque você deixará de ser quem é para ser mais um de nós! Meus parabéns!
Porque afinal a grande verdade desse mundo é que :

“O mundo trata melhor quem se veste bem.” “De um jeito ou de outro todo mundo usa.” “Uma idéia comprada desde 1850.” “ Seja bem visto.”  “Deixe a pessoa que você era para trás.” “Tudo que você quer ser.” “Leve vantagem em tudo.” “É tudo que você precisa.” O melhor da vida”. “Viva o que é bom.” “Só chega à perfeição quem pratica a perfeição.” “A primeira impressão é a que fica.” “O melhor pra você.” “Porque você merece.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Como se viver fosse grande coisa...

É complicado entender como uma coisa natural que acontece o tempo todo, todos os dias, e freqüentemente perto de nós pode nos chocar tanto. Falo da morte.
Todos e tudo que esta vivo vai morrer, tudo o que vive morre. Deveria ser algo corriqueiro quando alguém morresse. É natural, a única coisa que varia é que uns levam mais ou menos tempo, mas o resultado é o mesmo. Há pessoas que sequer conseguem olhar para um corpo sem vida, ou para um animal sendo sacrificado.
Quando ficamos tão idiotas? É algo delirante a negação da realidade de que nossas vidas não têm a menor importância. Simples assim. Na verdade a vida de ninguém tem importância. As pessoas que nunca existiram ou que já morreram tem de concordar comigo. A falta da existência delas não faz a menor diferença. Existem mais criaturas e espécies mortas do que vivas.
Mas queremos no sentir maiores do que isso. Quem é que quer admitir que sua própria vida não vale nada? Mas é assim que é. Supervalorizamos essa coisa toda de: vida, direito à vida, santidade da vida. Bobagem. Vida essa que não tem mais importância do que a da barata que exterminamos com todo o prazer. Mas gostamos de pensar de forma diferente. É óbvio o porque: estamos vivos, e somos humanos. Temos a mania de engrandecer as coisas por pura conveniência, puro interesse. Não estamos nem aí quando ficamos sabendo que 100 mil pessoas morreram por causa de uma merda qualquer, o que nos preocupa na verdade é como a morte dessas pessoas pode nos afetar, e que na próxima vez nossos nomes possam estar incluídos na contagem.
Eu particularmente estou cagando. Pode morrer o tanto que for, no Iraque, na Sérvia,ou em qualquer lugar longe que seja, não tenho a menor ligação afetiva com ninguém desses lugares. Se não me toca o fato de tanta gente já estar morta, porque haveria eu de me preocupar com as que estão morrendo se também não as conheço, e principalmente se isso é natural? A morte de pessoas queridas dói, nos faz sentir saudades delas e do prazer que a existência delas no proporcionava, apenas isso. É subjetivo, faz falta para nós individualmente. Mas para humanidade, para a sociedade ou para a vizinhança, morrer não faz a menor diferença.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Esperemos....

Trancados em caixas de concreto,
Esperamos.
Em meio ao cinza de nossas ruas,
E ao barulho de nossos carros,
Esperamos.
Em meio à rotina chata de nossas vidas
Entre pausas de cigarros e
Bebedeiras injustificáveis,
Esperamos.
Em meio ao silêncio dos responsáveis
E aos gritos dos inocentes,
Esperamos.
Esperamos
Algo que de sentido à nossa existência
Algo de extraordinário
Em meio à nossas vidas ordinárias,
Esperamos.
E nos dias que se arrastam longos
Em meio à espera,
Mais uma vez
Morremos.

domingo, 24 de abril de 2011

A morte de nosso herói.

Mas porque raios comemoramos a morte de um cara? Obviamente não comemoramos o fato de que ele esteja morto, mas o ritual perante um assassinato brutal não me parece saudável. Os moralistas repudiam violência na televisão e nos jogos de vídeo game argumentando que não faz bem para as crianças, mas colocam seus filhos frente a uma cena aterrorizante: a tortura e crucificação de um homem. É difícil imaginarmos visão mais cruel do que a do teatro encenado em cada cidade e a do filme exibido repetidamente e insistentemente nos canais de televisão aberta.
O símbolo por si já é deprimente. Uma cruz, e freqüentemente com um homem preso a ela. Faz-me pensar em uma pergunta, desconheço a autoria, que diz: “Se Cristo fosse eletrocutado, andaríamos com replicas de cadeiras elétricas penduradas em nossos pescoços?” Eu olho para o objeto preso à parede da sala de casa, e me choco. A religião é algo que deve nos confortar e acalmar nossas angustias perante o sofrimento irremediável da vida. Mas ao ver essa cena, isso apenas me deprime. O culto a essa morte nos amedronta. Serve para lembrar que nosso Deus não é tão bom quanto pensamos.
 Como podemos ter um ritual de morte como algo sagrado? Não me venha com a história de que cristo “morreu para pagar nossos pecados” como justificativa, pois é essa a parte mais desumana. Matamos um cara para sermos perdoados por Deus? Então, no século XXI aceitamos um sacrifício humano na nossa cultura com naturalidade? Tal homicídio foi justificado? O que justificaria um assassinato brutal de um inocente? Apenas para esclarecer, quando uso o termo “nós”, não digo os católicos ou cristãos, porque não faço parte de nenhum dos dois grupos. Mas generalizo porque trato de nós, os ocidentais. Nossa cultura foi fundamentada no cristianismo. O Brasil é um país cristão.
O que parece é que somos mais apegados a tradições medievais do que imaginamos. A forma de pensar quando assumimos que o assunto é religião muda completamente em relação ao que pensamos no dia-a-dia. Crimes brutais nos chocam, e jamais aceitamos justificativas para isso. Mas em um caso em especial, é diferente. Jesus foi brutalmente torturado e assassinado e sequer seus apóstolos tiveram a decência de fazer algo para defendê-lo. Ao contrário, mentiram e se esconderam, permitindo uma injustiça. Judas Iscariotes foi o único que teve alguma dignidade e se matou, incapaz de lidar com a situação. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dias longos, vida curta.

Nossas vidas são um saco. É isso, não tem outra. Sempre pensamos que diferente dos outros, nós sabemos aproveitar a vida. Sabemos nada, os dias passam sem que percebamos e no fim das contas somos apenas um bando de velhos chatos e ranzinzas. Passando por uma loja de animais, fico olhando um pequeno roedor  que corre sem parar dentro de uma rodinha de metal. E me pergunto como que esse animal consegue correr o dia todo sem sair do lugar? Então me lembro que estou atrasado, preciso correr...
Estamos todos nessa elaborada rodinha de hamster que é a nossa rotina. Não me venha com essa de “carpe diem” de “viver a vida intensamente” que isso é papo furado de livro de auto-ajuda vagabundo. Coisa ridícula. Até parece que podemos aproveitar o dia entre filas de caixas e viagens de pé em ônibus lotados em um trânsito infernal. Entre chefes chatos e pessoas sem educação. Estamos apenas tentando garantir nosso sustento (e também umas garrafas de cachaça pra poder agüentar a vida). Simples assim. Na maior parte do tempo, fazemos coisas de que não gostamos, para comprar coisas que não precisamos com o dinheiro que não temos.
“Mas então a vida não tem sentido?” Que história é essa? Porque raios as coisa tem obrigatoriamente que ter sentido, que ter razões. Não há razão em viver, apenas estamos vivos. Sem razões, sem motivos, sem porquês. Qual a razão do carro chamar carro, e da mesa chamar mesa? Nenhuma, eles apenas tem esses nomes. Qual o motivo de termos 5 dedos? Não existe motivo, é assim que somos e pronto. As pessoas precisam aceitar os fatos e parar de exigir razões. E aceitar as coisas como realmente são ao invés de acreditar em uma fantasia romântica. É por isso que existe tanta gente “desmotivada”, sem “razões para viver”. Estamos vivos porque estamos vivos. E vivemos para continuarmos vivos. É por isso que agüentamos as filas, os ônibus, os chefes e o transito. Por isso agüentamos firmes nas nossas vidinhas sem graça. Porque precisamos garantir que continuaremos vivos. Isso é muito mais importante do que “fazer a vida valer a pena”. Mais de 90% do nosso tempo é uma chatice sem tamanho. Mas nos 10% é realmente bom. A meu ver, 10% valem mais do que nada. Mas por favor, pare de choramingar, e vá se distrair em sua rodinha.