terça-feira, 10 de maio de 2011

Esperemos....

Trancados em caixas de concreto,
Esperamos.
Em meio ao cinza de nossas ruas,
E ao barulho de nossos carros,
Esperamos.
Em meio à rotina chata de nossas vidas
Entre pausas de cigarros e
Bebedeiras injustificáveis,
Esperamos.
Em meio ao silêncio dos responsáveis
E aos gritos dos inocentes,
Esperamos.
Esperamos
Algo que de sentido à nossa existência
Algo de extraordinário
Em meio à nossas vidas ordinárias,
Esperamos.
E nos dias que se arrastam longos
Em meio à espera,
Mais uma vez
Morremos.

domingo, 24 de abril de 2011

A morte de nosso herói.

Mas porque raios comemoramos a morte de um cara? Obviamente não comemoramos o fato de que ele esteja morto, mas o ritual perante um assassinato brutal não me parece saudável. Os moralistas repudiam violência na televisão e nos jogos de vídeo game argumentando que não faz bem para as crianças, mas colocam seus filhos frente a uma cena aterrorizante: a tortura e crucificação de um homem. É difícil imaginarmos visão mais cruel do que a do teatro encenado em cada cidade e a do filme exibido repetidamente e insistentemente nos canais de televisão aberta.
O símbolo por si já é deprimente. Uma cruz, e freqüentemente com um homem preso a ela. Faz-me pensar em uma pergunta, desconheço a autoria, que diz: “Se Cristo fosse eletrocutado, andaríamos com replicas de cadeiras elétricas penduradas em nossos pescoços?” Eu olho para o objeto preso à parede da sala de casa, e me choco. A religião é algo que deve nos confortar e acalmar nossas angustias perante o sofrimento irremediável da vida. Mas ao ver essa cena, isso apenas me deprime. O culto a essa morte nos amedronta. Serve para lembrar que nosso Deus não é tão bom quanto pensamos.
 Como podemos ter um ritual de morte como algo sagrado? Não me venha com a história de que cristo “morreu para pagar nossos pecados” como justificativa, pois é essa a parte mais desumana. Matamos um cara para sermos perdoados por Deus? Então, no século XXI aceitamos um sacrifício humano na nossa cultura com naturalidade? Tal homicídio foi justificado? O que justificaria um assassinato brutal de um inocente? Apenas para esclarecer, quando uso o termo “nós”, não digo os católicos ou cristãos, porque não faço parte de nenhum dos dois grupos. Mas generalizo porque trato de nós, os ocidentais. Nossa cultura foi fundamentada no cristianismo. O Brasil é um país cristão.
O que parece é que somos mais apegados a tradições medievais do que imaginamos. A forma de pensar quando assumimos que o assunto é religião muda completamente em relação ao que pensamos no dia-a-dia. Crimes brutais nos chocam, e jamais aceitamos justificativas para isso. Mas em um caso em especial, é diferente. Jesus foi brutalmente torturado e assassinado e sequer seus apóstolos tiveram a decência de fazer algo para defendê-lo. Ao contrário, mentiram e se esconderam, permitindo uma injustiça. Judas Iscariotes foi o único que teve alguma dignidade e se matou, incapaz de lidar com a situação. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dias longos, vida curta.

Nossas vidas são um saco. É isso, não tem outra. Sempre pensamos que diferente dos outros, nós sabemos aproveitar a vida. Sabemos nada, os dias passam sem que percebamos e no fim das contas somos apenas um bando de velhos chatos e ranzinzas. Passando por uma loja de animais, fico olhando um pequeno roedor  que corre sem parar dentro de uma rodinha de metal. E me pergunto como que esse animal consegue correr o dia todo sem sair do lugar? Então me lembro que estou atrasado, preciso correr...
Estamos todos nessa elaborada rodinha de hamster que é a nossa rotina. Não me venha com essa de “carpe diem” de “viver a vida intensamente” que isso é papo furado de livro de auto-ajuda vagabundo. Coisa ridícula. Até parece que podemos aproveitar o dia entre filas de caixas e viagens de pé em ônibus lotados em um trânsito infernal. Entre chefes chatos e pessoas sem educação. Estamos apenas tentando garantir nosso sustento (e também umas garrafas de cachaça pra poder agüentar a vida). Simples assim. Na maior parte do tempo, fazemos coisas de que não gostamos, para comprar coisas que não precisamos com o dinheiro que não temos.
“Mas então a vida não tem sentido?” Que história é essa? Porque raios as coisa tem obrigatoriamente que ter sentido, que ter razões. Não há razão em viver, apenas estamos vivos. Sem razões, sem motivos, sem porquês. Qual a razão do carro chamar carro, e da mesa chamar mesa? Nenhuma, eles apenas tem esses nomes. Qual o motivo de termos 5 dedos? Não existe motivo, é assim que somos e pronto. As pessoas precisam aceitar os fatos e parar de exigir razões. E aceitar as coisas como realmente são ao invés de acreditar em uma fantasia romântica. É por isso que existe tanta gente “desmotivada”, sem “razões para viver”. Estamos vivos porque estamos vivos. E vivemos para continuarmos vivos. É por isso que agüentamos as filas, os ônibus, os chefes e o transito. Por isso agüentamos firmes nas nossas vidinhas sem graça. Porque precisamos garantir que continuaremos vivos. Isso é muito mais importante do que “fazer a vida valer a pena”. Mais de 90% do nosso tempo é uma chatice sem tamanho. Mas nos 10% é realmente bom. A meu ver, 10% valem mais do que nada. Mas por favor, pare de choramingar, e vá se distrair em sua rodinha. 

domingo, 27 de março de 2011

Daniel....

Daniel, Daniel,
não se mate.
Sua solidão, sua melancolia.
Sua irritação corriqueira,
Seu tédio, sua chatice.
Não se engane,
São duradouros.
Mas nos dias que se arrastam longos,
há poucas horas de bom tempo.
Pedras mínimas de ouro
Que catadas com cuidado,
Fazem valer à pena.
Não sei o que.
Fique firme Daniel.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Termos Ridículamente Corretos.

Porque tudo o que vamos fazer tem que ser coberto por uma camada de hipocrisia? Como se já não bastasse termos que fingir que gostamos de coisas e de pessoas de quem não gostamos e assumir posturas com as quais não concordamos, agora também temos que “enfeitar” nossas palavras, para soarem mais “aceitáveis” aos ouvidos sensíveis dos hipócritas.
Para começar, não existem mais negros, essa palavra é proibida. Agora são “afro-descendentes”. O que há de errado com a palavra “negro”? Uma ofensa depende do contexto e da forma em que se usa o termo. E que raios significa “afro-descendente”? Somos brasileiros! Todos nós somos afro-descendentes! Todos temos uma descendência genética, e nos raros casos em que esta não existe, existe ainda a descendência cultural que é muito mais importante!
Não existem mais aleijados. São “deficientes físicos”. Aleijados, um termo que está na bíblia cristã. "Jesus curou os aleijados." Palavra simples, direta. Não diminui o valor de ninguém.  Cegos agora são “deficientes visuais”.  E os viciados?  Agora são “pessoas com transtorno do abuso de substâncias”. Que porra é essa? Parece que é algo mais tranqüilo, corriqueiro.  –Verdade que você é viciado em crack?  - Não, eu tenho transtorno do abuso de benzoilmetilecgonina. - Ah, que susto! Achei que você fumava pedra. -É, eu fumo. Mas não sou viciado.
Não existem mais pobre, agora são “pessoas de baixa renda”, não existem mais gordos, agora são “acima do peso”. Os anões acabaram. São “pessoas de baixa estatura”. Velhos agora são “indivíduos da terceira idade” ou pior ainda “da melhor idade”. Envelhecer faz parte da vida. É algo natural. Morrer também é. Mas esqueci que as pessoas não morrem, elas “vão para um lugar melhor”. E também não cagam, elas “evacuam”. Termo ótimo! Apenas dá a impressão de que as merdas estão saindo desesperadas de um prédio que está sendo demolido.
-Ah, mas são termos pejorativos! - Choram os imbecis de plantão. Não. São termos bem esclarecidos que definem condições. Não há nada de errado nisso. Ao contrário, é por isso que devemos usá-las. Facilitam o entendimento. Mas não, todos preferem usar nomes longos e confusos que nos fazem não ter idéia nenhuma sobre o que tratam.  Mas que de alguma forma, esses termos vazios de significado, amansam os humores de um bando de chiliquentos que não suportam lidar com as coisas da forma que elas realmente são. Mas isso também tem outra justificativa para essas pessoas. É que também não existem mais pessoas burras. Agora são “indivíduos com dificuldades no aprendizado”. Sorte deles.



quarta-feira, 16 de março de 2011

Definições

Criamos nomes e definições para facilitar o entendimento das coisas. Quando alguém nos fala sobre uma bicicleta, a nome “bicicleta” junto com o significado da palavra, nos faz entender sobre o que o indivíduo trata. Apesar de que nunca vamos imaginar o mesmo objeto da mesma forma que outra pessoa. Pois bem.
Então damos qualidades às coisas. Algo é bonito, feio, grande, pequeno, largo, pesado, colorido, comprido, útil, adequado, caro, conveniente, difícil, barulhento, chato, demorado e por aí vai. Porém o que muita gente não sabe, é que por si só, essas palavras não fazem nenhum sentido. Os adjetivos são sempre termos comparativos, e muitas vezes subjetivos. Algo é bonito, dependendo da minha definição de beleza e em comparação com as coisas que pra mim são feias. Algo é pesado, em comparação com o que é leve, e baseado no meu entendimento do que seja pesado.
Isso nos traz algumas complicações. Por exemplo, o que é "PERFEITO"?  Não temos nenhum padrão de comparação. Não há nada que tenha por característica ser completo em todos os sentidos. Não temos conhecimento absoluto para dizer que algo é ausente de defeitos. É apenas um termo vago que usamos quando queremos dar ênfase em alguma característica. O mundo não é perfeito. A natureza não é perfeita. Deus, em nenhuma forma de crença ou entendimento, pode ser perfeito. Pelo simples fato de que não temos parâmetro de comparação. Perfeição é apenas uma idéia. O platô das qualidades.
O "Tudo ou nada" não existe na realidade. São símbolos dos extremos. O que existe é o espectro entre os limites de todas as características. Nada é completamente belo ou completamente feio. Nada é totalmente certo ou totalmente errado. Tudo não passa de definição e classificação. Criamos essas idéias, com o simples intuito de facilitar a comunicação e o entendimento.
Mas você pode argumentar comigo, que algo pode sim ser completamente ruim. Como estuprar crianças. Porém, para nós é difícil extrapolar os limites da ética e da preservação da vida para imaginar uma forma em que isso seja “menos ruim”. Isso para os seres humanos normais é sempre ruim. Devido à compaixão inerente à nossa espécie. Mas também não é o limite do ruim. O que digo, não é que algo não possa ser apenas ruim, ou apenas bom, por exemplo. Mas que precisa de comparação. E sempre pode ser mais extremo. (Pior, melhor ,mais bonito ,mais feio...)
Por isso, desacredito qualquer tipo de “plano superior” de que qualquer coisa seja “especial” ou sequer “extraordinária”. Tudo é apenas um conjunto de “o quês” com “quems” em um “aonde”. Todo o resto fica por conta da probabilidade e da forma com que definimos e interpretamos as coisas. O mundo é  simplesmente caótico.

domingo, 13 de março de 2011

Quem gosta de poemas?

De pé no ponto de ônibus
Acendo um cigarro
Bebo um café
E invoco um poema que
Sei que vou esquecer
Surdo pelo barulho
Pessoas conversam
Um carro buzina
Uma menina chora
Penso nela por um instante
Decido não pensar mais
Penso em minha mãe,
Sinto falta dela,
 minha família.
Olho uns rostos
Umas bundas
Tudo o que tenho está comigo
Alguns trocados
Que vão me garantir até o fim de semana
Uns papeis velhos
o maço de cigarros.
Acabo meu cigarro vagabundo
Bebo meu café sem doce
Esqueço o poema
O ônibus chegou
Afinal,
 quem é que gosta de poemas?