sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Desenhando...


Bom, em uma dessas madrugadas de estudo tediosas, resolvi fazer um desenho. E ficou assim: 


Eu achei muito legal, e muito melhor do que eu espeava. Fiquei realmente espantado. Fiz olhando pra uma foto. Não imaginando. Mas mesmo assim, achei que tinha ficado muito bom. Então fiz outro, dessa vez, de minha mãe, quando era jovem.

 Agora em um aumento do desenho:
 Novamente, achei que tinha ficado bem legal. Então, no outro dia comprei um caderno branco, e uma caneta nova, porque a minha já estava acabando. Feito isso, fiz um desenho do meu pai:

Desenhar a caneta fica muito bonito, eu gosto. Porém, tem o inconveniente de que não se pode errar. E eu não estava conseguindo controlar o tom das cores das sobras. Então estava ficando difícil e ruim. Detalhes do desenho:
Esse ainda ficou bom, mas não gostei muito do desenho abaixo, que fiz de minha irmã quando era mais nova. Ficou parecido, mas poderia ter ficado melhor. Como disse, a tonalidade da caneta ficou ruim, e estava me atrapalhando bastante.

Aumento maior:

Foi mal Marina. Depois faço um mais bonito de você. O pessoa do desenho abaixo é meu irmão Lívio. Tentei fazê-lo duas vezes com a caneta, e ficava ruim. Tem muitas sombras, que com a caneta que eu tinha eu só conseguia umas manchas pretas. A partir disso, comprei lápis de desenho. E ficou assim:

Acho que ficou muito bom. Gostei muito. O lápis é mais fácil de controlar, de fazer sombras, e ainda pode ser apagado. Nem compara, mas ainda acho que com caneta fica mais bonito.

 E o último desenho que eu fiz, do meu irmão Vinícius, ou como todos o conhecem, Arroz. O desenho pode parecer meio estranho, mas ficou bem parecida com a foto, essa cara que ele fez é muito engraçada, acho q ficou bacana.
Pretendo depois, terminar esse desenho. Só a cabeça fica estranho. Mas eu estou aprendendo ainda.

Devagar, já vou melhorando. Se olhar pelo ângulo que eu nunca fiz nenhum curso de desenho, está bom até demais. Eu me espantei quando vi que os desenhos começaram a ficar bons. Muita gente duvida que sou eu que os faço. Aceito isso como um grande elogio. Estou gostando de desenhar assim. Gostaria que comentassem o que acharam. Assim que eu for desenhando, vou postando mais desenhos aqui.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Privacidade alheia: use e abuse.

Somos animais sociais. É mais seguro, mais confortável, mais vantajoso. Nosso corpo é adaptado para essa situação. Nossos ouvidos são desenvolvidos para detectar principalmente a freqüência de voz humana, nossos olhos percebem rostos e emoções em figuras abstratas tais como “:-)”. 
No início de nossas vidas em comunidades os agrupamentos eram basicamente familias. Mas por um motivo qualquer como comida, água ou abrigo, esses ajuntamentos foram aumentando. Porém, um grande grupo não era apenas um grupo. Era um conjunto de pequenos grupos. Portanto, a configuração inicial se manteve. Pequenas famílias que conviviam entre si. O que mudou, é que essas famílias agora se relacionavam com outras famílias. 
Quando passamos a viver em cidades, ainda se mantiveram as estruturas de pequenos grupos. Mas não organizado em famílias, e sim unidos pela proximidade das moradias. Nas pequenas cidades, todos se conhecem e compartilham informações sobre suas vidas uns com os outros de uma forma ampla entre todas as pessoas. Porém, em cidades maiores, as vizinhanças assumiram esse papel. Os relacionamentos entre grupos além da estrutura familiar de pai, mãe e filhos eram entre aqueles que compartilhavam um local comum de morada. E nesses locais, assim como nas pequenas cidades, as pessoas compartilhavam informações sobre suas vidas.
Dito isso, convido-o a perceber que não há mais essa convivência entre os vizinhos. Nem conhecemos muitos deles, nem mesmo aqueles que moram no mesmo prédio que a gente. Conhecemos um ou outro, mas não a ponto de ter qualquer relação fora do que nos obriga a cordialidade e a diplomacia. É claro que isso é de uma forma geral, sortudo aquele que conhece a todos e tem verdadeira amizade com seus vizinhos. Pois isso ainda existe.
Então, como é que suprimos a falta de intimidade contemporânea? Como conseguimos sobreviver sem saber da vida daqueles que conhecemos para a partir de então, tomarmos decisões sobre a nossa vida? Como conseguimos escolher a forma de agir sem olhos curiosos sobre nós e sem os dedos apontando os vencedores e os perdedores para deixar tudo bem claro? Sem ninguém para criticar nosso modo de vida?
 A resposta é que não conseguimos. Precisamos que as outra pessoas determinem os padrões de comportamento que devemos ter, as roupas que devemos vestir, as coisas que devemos comprar. Então, inteligentemente, acostumados a usar de ferramentas para solucionar problemas, resolvemos essa questão. Agora temos dois aparelhos quadrados, de tamanhos variados, que nos contam sobre a vida de estranhos ou de conhecidos, a vidas de pessoas reais representando pessoas irreais, ou a vida irreal de pessoas reais. É só escolher. Qual a mentira você quer para hoje? Qual convenção social inventada se enquadra mais no seu perfil?A novela, o filme, o Orkut, o twitter?  Hoje, podemos escolher. Hoje vivemos a fofoca informatizada e televisionada. O mexerico self-service. Auto-serviço da privacidade alheia. Genial, não?

sábado, 23 de outubro de 2010

CONSOLO NA PRAIA

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho

Carlos Drummond  deAndrade

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Vã esperança.

 Parece-me, claramente,  que a esperança é o algoz da nossa felicidade. A última que morre deveria ser a primeira a ser aniquilada dos nossos corações. Esperança é tudo o que precisamos para sermos infelizes. Um reles prêmio de consolação. Incompetentes em realizar nossos desejos no presente, nos confortamos com a crença na possibilidade de realizá-los no futuro. Porém o futuro tem um grande inconveniente: ele está o tempo todo se transformando no presente sem nos darmos conta disso. Não se iluda, o futuro nunca chegará.
O pote de ouro no final do arco-íris acaba se tornando mais importante do que o que temos e do que  que efetivamente podemos ter em nossas vidas. Não estou dizendo que não devemos ter metas e fazer planos. O que estou dizendo é que se o que planejamos é realizável, se fazemos por tornar possível o que almejamos, ou almejamos coisas que podemos conseguir, não há razões para esperança. Temos que ter paciência, perseverança e esforço. Nunca esperança. Esperança é para fracassados que precisam de um reforço emocional para que não tenham que encarar suas derrotas, então se apóiam nesse sentimento ridículo. Tão aclamada pelos livros de auto-ajuda, não passa de um medíocre estado de espírito que atrasa nossas vidas e distancia o desejador do objeto desejado.
Tudo bem, eu sei que temos que ter esperança em ganhar na mega sena. Temos que ter esperança de que não seremos assaltados na rua amanhã. De que as pessoas que amamos chegarão bem em casa, de que nosso time de futebol irá ganhar no próximo jogo. Temos que ter esperança com coisas que não dependem de nos, que dependem exclusivamente da sorte. O que não significa que não entenderemos se essas coisas derem erradas, pois essa possibilidade é real.
Mas viver apenas de sonhos é para idiotas. Vamos lidar com as coisas de forma real e objetiva. Sonhe com o que está ao alcance de suas mãos, e sua felicidade sempre estará próxima. Caminhe na direção do que estiver longe ou aumente o comprimento de seu braço, ao invés de ficar sentado desejando que aquilo seja seu. E se o que é tão desejado é claramente impossível, não se iluda. Você não o terá. Aceite isso com maturidade, e siga rumo ao próximo objetivo. Não faça  do impossível a dádiva de sua vida. Aproveite, e pare de chorar e de reclamar das coisas que não deram certo. Já era, você não conseguiu. Ninguém agüenta mais essa lamúria.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Desconselhos

Pare com isso! Pare de mentir, pare de se esconder nessa fantasia ridícula que você inventou pra si mesmo. Pare de tentar justificar seus erros e seus defeitos. Você é mesmo esse cara. Esse que traiu o amigo. Esse que correu da briga quando todos precisavam dele. Esse que tem uma vida inventada para agradar os outros. Acabe com isso!
Levante a cabeça! Pare de andar na rua com a cabeça baixa. As pessoas estão rindo de você pelas costas! Inclusive esses seus falsos amigos. Preste atenção ao que acontece a sua volta! Pare com esse fingimento, essa fraqueza! Você é um fracasso total, aceite isso. Como para os alcoólatras, aceitar é o primeiro passo. Aceite que está no fundo do posso, para então poder sair. Levante a cabeça, tenha postura. Olhe nos olhos das pessoas. Quer beber?  Beba! Quer fumar? Fume. Os outros se importam? Eles que se fodam.
Tome suas próprias decisões, não aceite que as pessoas escolham por você. Tome iniciativa! Essa bosta de vida é a sua. E quais são as garantias que você tem, que não é também a única? Portanto, assuma o controle dela. Tenha opinião. Não fique em cima do muro. Brigue, xingue, grite. Faça inimigos respeitáveis, e faça com que eles te respeitem.  Para tanto, seja justo e honrado. Por tais virtudes que as pessoas devem te conhecer, e não por essa bosta de roupa que você usa e por essa fala mansa e fingida. Não seja conveniente. Se há uma única frase que preste na Bíblia é em Apocalipse 3:16 “Assim porque és morno e não és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da Minha boca.” Até seu Deus rejeita os mornos. Não seja morno.
Então, quando já estiver no embalado na segurança em você e feliz com as decisões que você mesmo tomou, você cairá de cara no chão. Pode ter certeza disso. Desnorteado e com medo, vai se envergonhar e vai querer vestir novamente sua fantasia. Não faça isso. Se levante, respire fundo e caminhe de cabeça erguida mais uma vez. Afinal o que importa é aceitar o que somos pelo que podemos nos tornar. Para que no fim, se orgulhe de quem realmente é, ao invés de se esconder miseravelmente como tem feito até hoje.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Arte de Gil Vicente


Graças à repercussão causada pelo posicionamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) contra a ultima exposição do artista plástico Gil Vicente, tive o prazer de poder conhecer essas obras. Não pessoalmente, mas mesmo assim são fantásticas. O artista pernambucano, criou em carvão sobre papel, imagens em tamanho real do próprio artista matando personalidades que ele chama em entrevista a Veja de "uns ladrões sujos".
Gil deixa clara sua indignação com essas pessoas e a expressa da forma mais forte possível: matando-as. Nada é mais óbvio do que isso. Nada é mais sincero do que isso. Sem hipocrisias, sem eufemismos. Ele nos faz lembrar do dramaturgo homônimo português, que condenava as figuras sociais de sua época ao inferno.Mas diferente do escritor medieval, o artista se coloca na posição de carrasco. A cena é de um ódio frio, mas heróico. Basta olhar atentamente por alguns segundos para se enxergar claramente a cena do instante anterior ao desenrolar trágico. Brilhante. Vale a pena conferir as outras imagens:
E a entrevista do autor das obras para Veja:

Não vou comentar sobre a decisão da OAB, porque é incrivelmente ridícula por si só. Não merece que o post destinado ao Gil Vicente dê enfase a isso. Também não quero questionar se concordo ou não com as pessoas retratadas, foi escolha pessoal do artista. O importante é a forma com que ele demonstra a sua indignação e sua coragem para fazê-lo, e não o objeto retratado.
Parabéns Gil Vicente.

domingo, 19 de setembro de 2010

Trato de Hipocrisia Recíproca

Todos nós vivemos o mesmo teatrinho. Acordamos cedo e logo ao abrir os olhos nos despedimos de quem realmente somos. Desse momento adiante, o que se apresenta ao mundo é a nossa persona dramática. Vestimos a roupa e a máscara que usaremos no dia, criamos nossos desejos, tanto os de longo prazo quantos nossos caprichos momentâneos. Criamos uma ilusão sobre quem somos, sobre quem queremos ser, sobre quem as outras pessoas são e sobre o que elas pensam sobre nos. Então nos dedicamos à tarefa de tentar mostrá-las que não somos quem eles pensam que somos, e sim quem nós mesmos imaginamos que somos, ou que deveríamos ser. A todo custo precisamos que acreditem nisso, porque nós mesmos precisamos acreditar. Não dá pra acreditar que cada um de nós não passa desse ser estúpido, limitado, sem virtude que se encara diariamente no espelho.
Então começa o espetáculo. Temos que esconder nossos defeitos e nossa falha de caráter a todo custo. Para ficar mais real, é necessário que acreditemos na personagem. Precisamos acreditar que somos honestos, que somos inteligentes, que somos leais, que somos honrados. Precisamos acreditar nas qualidades que nós não temos. ‘Não me peça provas além de minhas palavras, que eu não pedirei que você prove seus valores. Assim estamos combinados. ’ É o significado das trocas de olhares entre os seres humanos.
Percebemos também que algumas pessoas exigem de nós qualidades diferentes para que se mantenha o trato de hipocrisia recíproca. Negociamos as qualidades aceitáveis para se manter a relação. Isso em qualquer relação entre os Homo sapiens sapiens . Para algumas pessoas não faz diferença que a outra seja uma pessoa séria, mas exige fidelidade, ou então é irrelevante que seja justa, contando que seja divertida. E por aí vai. Vamos selecionando as características de nossa personalidade, nossas qualidades e defeitos e a do próximo de acordo com cada tipo de interação, de acordo com a conveniência. É óbvio como não somos a mesma pessoa com nossos pais, amigos, professores, namoradas. Estamos nos montando e remontando o tempo todo. Por isso ficamos com a sensação vazia de não saber quem somos ou o que queremos de verdade. Isso explica toda a confusão mental a cerca de nós mesmos. Porque no final das contas, não somos os atores que apresentam o espetáculo. Somos o diretor que está sentado invisível no fundo do teatro tentando organizar a apresentação. No fundo, conseguimos apenas interpretar ou ver os atores de cada um de nós. Podemos até dar um palpite ou outro durante a peça, porém dirigir é inacessível a nossa consciência.
Por isso também que não gostamos da verdade nua e crua. Quebra o trato de hipocrisia recíproca e coloca em xeque a nossa personalidade falsa e efêmera. A máscara é tudo o que somos, sem a máscara não somos nada. Portanto necessitamos de auto-afirmação. Precisamos masturbar nossos egos e os egos das pessoas de quem gostamos. Precisamos afirmar nossa superficialidade, porque é tudo que está ao nosso alcance e ao alcance das pessoas próximas a nós. Não critique a minha superficialidade, porque é tudo que eu tenho!